sexta-feira, 14 de julho de 2017

O bom filho a casa torna

Na história recente do Homem-Aranha nos cinemas, já foram tantos atores a interpretar o herói que a gente até se confunde. Começou com Tobey Maguire, o primeiro a inaugurar a franquia, ainda está na memória afetiva de muita gente. Ele fez 3 longas, em 2002, 2004 e 2007. Em seguida tivemos Andrew Garfield, no filme “O Espetacular Homem-Aranha”, de 2012, e na sequencia “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro”, de 2014. Já conhecíamos a origem do herói, como ele ganhou os poderes, a morte do tio, mas... tivemos que engolir tudo de novo. E agora, em 2017, somos presenteados com um novo cabeça de teia: Tom Holland. O ator até então tinha pouca expressividade em Hollywood, atuando em "O Impossível" e "No Coração do Mar". Mas a escolha não poderia ser mais acertada: ele tem carisma de sobra e cara de adolescente, como requer o herói.

Em “Homem-Aranha: De Volta ao lar”, nada de voltar ao passado. A história começa logo depois da participação do Aranha no filme “Capitão América: Guerra Civil”, quando ele foi recrutado pelo Homem de Ferro. Imagine para um jovem de 15 anos lutar ao lado dos Vingadores? Claro que ele praticamente surta e faz questão de registrar tudo pelo celular, algo bem típico da galerinha mais nova. “De Volta ao Lar” começa justamente assim, com os vídeos feitos pelo próprio Peter Parker, numa visão muito particular da batalha.

Ansioso por voltar ao combate, ele vai ter que praticar o exercício da paciência. Algo difícil, ainda mais depois que o Homem de Ferro o presenteia com um traje 2.0, um uniforme super tecnológico, com direito até a uma assistente pessoal. Ok, a roupa é legal, mas foge muito da tradição do Aranha, que sequer chega a usar o seu fator aranha, capaz de detectar o perigo.

Extremamente inteligente, Peter acaba tendo que compartilhar seu segredo com o amigo Ned, tão vítima de bullying quanto ele na escola. O crush da vez não é Gwen Stacey, muito menos Mary Jane, e sim Liz, papel de Laura Harrier. Cá entre nós, o casal não teve química nenhuma.

O vilão é o Abutre, papel de Michael Keaton, dono de uma empresa de salvamento contratada para limpar a cidade logo após a catástrofe ocorrida em Nova York com a invasão dos aliens no primeiro filme dos Vingadores. Demitido, ele usa a tecnologia das naves para criar armas e vender no mercado negro. A armadura alada que ele usa é fruto dessas pesquisas. Seu objetivo maior é sequestrar o avião do Departamento de Controle de Danos, que irá transportar as armas da Torre dos Vingadores para a nova base. Cabe ao aranha, sozinho e sem uniforme – já que andou fazendo umas trapalhadas - combater o bandido, que vai se mostrar mais próximo do que ele imagina.

“Homem-Aranha: De Volta ao Lar” é pura diversão, somado a incríveis efeitos digitais. Mas o mais bacana de tudo é que ele continua sendo o amigo da vizinhança, alguém muito próximo a nós, reles mortais, apesar dos superpoderes. Ele é gente como a gente, e o frescor adolescente, a empolgação com tudo o que acontece, os erros e acertos, os tropeços, os dilemas, medos e anseios, só fazem renascer o adolescente dentro de cada um de nós. Não é à toa que ele continua sendo um dos heróis mais amados de todos os tempos.

Sorte que ele vai voltar em "Vingadores: Guerra Infinita" e também no seu próximo filme solo. Ah, e não saiam do cinema assim que o filme acabar. “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” tem duas cenas pós-créditos. Uma delas que até zoa com a cara da gente. Mas, fazer o quê, né? Afinal, somos aficionados por cinema!


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Girl Power de volta!

Demorou, mas chegou! Após 76 anos de espera, finalmente o público pode assistir ao filme solo da Mulher-Maravilha. Tudo bem que tivemos um pequeno aperitivo no ano passado, quando a heroína participou de “Batman Versus Superman: A Origem da Justiça”, mas cá entre nós: esse novo filme da DC é um arraso!

A superprodução, a primeira do gênero dirigida por uma mulher – a cineasta Patty Jenkins, corrobora com todo o protagonismo feminino que vimos crescer nos últimos anos. E a qualidade do longa tem se refletido também nas bilheterias, com mais de 600 milhões de Dólares arrecadados mundo afora até então.

Vamos à história: treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível, Diana Prince – interpretada pela atriz israelense Gal Gadot – nunca saiu da paradisíaca ilha de Temiscira, em que é reconhecida como princesa das Amazonas. Quando o piloto Steve Trevor – vivido por Chris Pine (o Capitão Kirk do remake de Star Trek) se acidenta e cai numa praia do local, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo. Ela decide deixar o lar em que sempre viveu, certa de que pode parar o conflito.

Os dois vão para Londres e é lá que acontecem algumas das cenas mais engraçadas do filme, como aquela em que a secretária de Trevor, cheia de tarefas para fazer, tenta explicar a sua função para Diana, ao que ela prontamente responde: “No meu mundo isso se chama escravidão”!

Essa “ingenuidade/inocência” da protagonista não deixa de ser encantadora, afinal ela está num mundo novo, a ponto de achar natural andar de uniforme, espada, laço, braceletes e escudo pelas ruas de Londres. Ela também acha que a guerra é algo promovido pelo Deus Ares, e tentará destruí-lo usando todos os seus poderes.

As cenas de luta são um espetáculo à parte. Há quem reclame do excesso de slow motion, a chamada câmera lenta, mas eu particularmente acho que o efeito estético é muito bonito. A escolha de Gal Gadot, criticada inicialmente até pela diretora do filme, se mostrou acertada. Ela, que chegou a servir as forças armadas israelenses, está deslumbrante no longa-metragem.

Independente, ousada, sexy, corajosa, determinada... a Mulher-Maravilha é tudo isso e muito mais e a imagem dela num filme de ação, com pitadas de aventura e romance, ajuda a concretizar o poder feminino na atualidade – um caminho sem volta, diga-se de passagem.

O mais bacana é ver a reação das crianças, principalmente das meninas, que agora querem se fantasiar de Mulher-Maravilha e usá-la como tema das suas festinhas de aniversário, a ponto de acha-la muito mais legal que “Frozen” – como vi uma garotinha americana dizer numa reportagem.

A personagem retorna no dia 16 de novembro deste ano no filme da “Liga da Justiça”. Mas “Mulher-Maravilha 2” já foi confirmado, inclusive com Patty Jenkins novamente na direção. Na semana em que foi divulgado que Gal Gadot recebeu um cachê bem menor que Henry Cavill, o Superman, para fazer o filme, a gente espera que essas desigualdades sejam extintas o quanto antes.

domingo, 16 de abril de 2017

Em busca de abrigo



O livro “A Cabana” foi lançado por William P. Young em 2007. Chegou ao Brasil um ano depois, embalado pelo sucesso lá fora. Voltado inicialmente ao público religioso, acabou conquistando os mais variados leitores devido a sua mensagem de amor, ódio, perdão e dor. Em quase uma década, foram cerca de 20 milhões de exemplares vendidos. É até de se espantar que ele tenha demorado tanto para virar filme.

Confesso que não li o livro, mas já conhecia a história. Mack é um homem que teve a filha de seis anos raptada durante um acampamento. A menina nunca foi encontrada, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são achados em uma cabana no meio das montanhas. Tempos depois ele recebe um misterioso bilhete supostamente escrito por Deus, convidando-o para uma visita a essa mesma cabana. Em busca de respostas, ele vai até o local, onde terá um inusitado encontro com o pai, o filho e o espírito santo.

Quando fui à pré-estreia do filme, uma sessão para convidados numa segunda-feira à noite no Boulevard Shopping, esperava um drama pesado... sou daqueles que chora até vendo comercial de margarina, então já deixei o lenço reservado pois sabia que ia me emocionar.

Ainda na fila, percebi que a maioria ali se conhecia. As pessoas se cumprimentavam como se pertencessem a um grande clube. Já na sala, antes do filme começar, fotógrafos registravam aquele encontro e uma pessoa agradecia a presença de todos. Eis então que chega um pastor e começa uma grande corrente de oração, ao que a maioria respondia “amém” a cada pausa dada por ele. Minha ficha caiu: eram todos de uma mesma igreja evangélica e a pré-estreia era um evento religioso. Sou católico não praticante, tinha recebido o convite por e-mail e não sabia de nada até então. Independente de tudo isso, estava ali para ver o filme, e ele tinha acabado de começar.

Não tenho filhos, mas imagino a dor de um pai como Mack (Sam Wortington) ao passar por tal situação. Desde a primeira cena em que aparece a garotinha Missy a gente já se afeiçoa a ela e, por mais que saibamos do seu trágico destino, torcemos para que a cena demore a chegar. Depois do ocorrido, Mack se torna uma pessoa amargurada. Seus outros dois filhos adolescentes mal falam com ele e a esposa Nan (Radha Mitchell) parece incapaz de salvar o casamento.

Até que acontece o derradeiro encontro. O frio, a neve e a cabana caindo aos pedaços dá lugar a campos verdejantes, cheios de flores, um lago, animais e uma casa na floresta, onde mora a santíssima Trindade. Ali, Mack vai mergulhar numa viagem para dentro de si mesmo, ao passado de abusos, quando era vítima da violência do próprio pai, e precisará entender a importância do perdão para poder seguir em frente.

O mais interessante do filme, na minha opinião, é a figura de Deus ter sido retratada por uma mulher – a ótima atriz Octavia Spencer. Confrontada porque não faz nada para amenizar o sofrimento de nós, seres humanos, já que é tão poderoso(a), e porque existe tanta injustiça no mundo, a resposta é dada em doses homeopáticas, ao longo de pouco mais de duas horas de filme.

Sem querer revelar o fim da história, o que eu senti ao assistir “A Cabana” é que ele é muito mais um filme filosófico do que religioso. Apesar de soar “catequizante” em determinados momentos (tem-se a impressão de que para ser feliz é preciso crer em Deus e perdoar seus inimigos), os questionamentos que ele faz acerca da vida, da origem do bem e do mal, da existência do divino, vão muito além de tudo isso.
Assista com o coração aberto. Tenho certeza que será uma experiência enriquecedora, seja você de que credo for.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Princesinha do mar


Num determinado momento do filme “Moana – Um Mar de Aventuras”, o semideus Maui pergunta para a protagonista Moana: “Você é uma princesa?” Ao que ela responde: “Não, sou só a filha do chefe!”

O diálogo mostra bem a mudança recente no perfil dos filmes da Disney. A clássica história da frágil princesa em busca do seu príncipe encantado vem ganhando contornos mais modernos. Se em “Frozen – Uma Aventura Congelante” o amor fraternal era o fio condutor da trama, em “Moana” a heroína nem par romântico têm. Mas isso não é motivo pra você desanimar de assistir o filme. Como o próprio subtítulo diz, é uma animação focada numa intensa aventura em alto mar.

Moana é uma jovem corajosa que vive numa ilha polinésia, em uma tribo descendente de uma longa linhagem de navegadores. Querendo descobrir mais sobre seu passado e ajudar a família, ela resolve partir em busca de seus ancestrais, habitantes de uma ilha mítica que ninguém sabe onde é. Acompanhada pelo lendário semideus Maui, Moana fará uma jornada em mar aberto, onde enfrentará terríveis criaturas e descobrirá histórias do submundo marinho.

Um dos pontos altos do filme é justamente apresentar a cultura do povo da Oceania, pouco retratada no cinema, com suas crenças e lendas. Triste é saber que muitos têm enxergado mensagens satânicas no longa-metragem, o que é um tremendo absurdo.

Mas voltando ao que interessa: “Moana” tem personagens pra lá de carismáticos. Maui, semideus que usa um anzol mágico para se transformar em diferentes animais, se mostra uma criatura dócil, com suas tatuagens que se movem, apesar da cara de mau. Tem a avó idosa Tala, responsável por contar as histórias que despertaram na neta o gosto pela aventura. Há ainda o Chefe Tui, pai durão e superprotetor de Moana. Sem falar do galo de estimação Hei Hei, responsável por algumas das cenas mais hilárias do filme.

Os números musicais também estão lá, mas não são entediantes. O hit “Let It Go”, que Elsa entoava em “Frozen” e que atingiu o topo de muitas paradas de sucessos mundo afora, encontrou uma "competidora" à altura para ficar na cabeça da gente: "How Far I'll Go", indicada ao Oscar 2017. A gente sai do cinema cantarolando a música.



É impressionante também a qualidade técnica da produção. Os cabelos ondulados de Moana que se agitam ao vento, as diferentes tonalidades da água do oceano, a fauna marinha... tudo é de encher os olhos. Mais uma animação da Disney que vai entrar na sua quase infindável lista de sucessos.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Suave na nave




Provavelmente você já deve ter assistido um monólogo no teatro. Um único ator em cena, interpretando um ou vários personagens. É preciso ter jogo de cintura pra prender a atenção da platéia ou então a monotonia toma conta do espetáculo. O que vemos na primeira parte de “Passageiros”, novo longa-metragem de Morten Tylden (o mesmo de “O Jogo da Imitação”) é quase isso: um monólogo do ator Chris Pratt.

O astro, que se tornou um dos principais nomes de Hollywood depois do sucesso de “Guardiões da Galáxia” e “Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros”, dá vida a Jim, passageiro de uma nave com destino a um planeta colonizado pela Terra. A promessa de uma nova vida é o que seduziu os quase 5 mil tripulantes a embarcarem nessa aventura. Durante uma chuva de meteoros, a cabine onde Jim hibernava para de funcionar e ele acorda 90 anos antes do tempo programado.

A situação é deseperadora. Sem acesso à torre de comando, ele perambula pelos corredores e compartimentos, numa relação até meio claustrofóbica, apesar das enormes dimensões da nave. Como não enlouquecer? O tempo passa e a solidão só é interrompida graças a Arthur, um garçom-robô interpretado por Michael Sheen, e que vira uma espécie de amigo confidente.

Diante do medo de envelhecer e morrer sozinho, Jim acaba tomando a difícil decisão de acordar um segundo passageiro: Aurora, papel de Jennifer Lawrence. Engana-se quem pensa que a escolha foi aleatória. Consultando o perfil dela nos arquivos tecnológicos da nave, Jim desenvolve uma espécie de amor platônico por ela. No início Aurora acha que a sua cabine também foi avariada, mas não é preciso ser nenhum gênio pra saber que logo ela descobrirá toda a verdade. História de amor ou sentença de morte?

Os conflitos do casal terão que ser deixados de lado quando eles descobrem que a nave está correndo um sério risco e que eles são os únicos capazes de salvar os milhares de colegas em sono profundo.

"Passageiros” é um filme interessante. Os ótimos efeitos visuais ajudam a entender como a nave futurista funciona. Tudo é automatizado e pensado no bem-estar dos passageiros. Assim como na nossa sociedade, quem tem mais dinheiro possui mais regalias.

Apesar dos poucos atores em cena (Lawrence Fishburne completa o elenco), o carisma e talento de Chris Pratt e J-Law seguram o longa em suas quase duas horas. Um drama com pitadas de comédia romântica, com belíssimas cenas do espaço sideral, e que foge das produções convencionais justamente por ser também uma ficção científica. Vale o ingresso.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Um mergulho no mar de Almodóvar

Um dos principais cineastas da atualidade, o espanhol Pedro Almodóvar se inspirou em três contos da escritora canadense Alice Munro, vencedora do Prêmio Nobel, para criar seu novo filme, "Julieta". O longa, que estreou no Festival de Cannes no ano passado, chega agora ao Brasil. Mais uma vez, as mulheres são o foco principal, numa trama que fala sobre paixões arrebatadoras, maternidade, abandono, culpa e depressão.

Julieta é uma jovem professora quando, numa viagem de trem, conhece Xoan, um pescador casado com uma mulher em coma. Os dois se apaixonam e, dessa união, nasce Antía. Tudo é narrado em flashbacks. Quando o filme começa, Julieta perdeu todo e qualquer contato com a filha. É por meio de um encontro casual com uma antiga amiga de adolescência da menina que a ferida é reaberta. Ao ter notícias de Antía, a protagonista desiste de se mudar com o namorado para Portugal e tenta reencontrá-la, revisitando o passado - o que pode ter consequências devastadoras.

Em pouco mais de uma hora e meia de exibição, mergulhamos junto às personagens numa trama misteriosa, que transborda emoções - o que é enriquecido pela trilha sonora com ares de suspense. Afinal, o que levou Antía a abandonar a mãe? Conseguirá Julieta refazer a sua vida, mesmo com a inerente dor da ausência?

Na tela, duas belas atrizes se revezam no papel de Julieta. Na meia idade ela é vivida por Emma Suárez e na juventude por Adriana Ugarte, dona de uma beleza natural e ao mesmo tempo estonteante. Ambas estão ótimas no papel, transmitindo com maestria as dores e as delícias da personagem-título. Completam o elenco Daniel Grao (Xoan), Inma Cuesta (Ava, artista plástica amiga de Xoan), Rossy de Palma (Marian, empregada mal-humorada da casa), Priscilla Delgado (Antía jovem) e Blanca Parés (Antía adulta).

"Julieta" pode não ser o melhor trabalho de Almodóvar, mas está longe de ser ruim. O final, em aberto, pode desagradar a alguns, mas mostra que é impossível controlar aqueles que amamos e que às vezes, precisamos aprender a conviver com a própria dor, por mais difícil que isso possa parecer.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Um espetáculo Improvavel...mente ruim!

A Cia. Barbixas de Humor estará de volta a Belo Horizonte para apresentar a peça “Improvável”, que estará em cartaz no Teatro SESIMINAS entre os dias 13 e 15 de maio. O espetáculo de humor é baseado na criação de cenas improvisadas, nas quais a plateia tem participação fundamental.

Na peça, inspirada em “Whose Line is it anyway”, game show de sucesso nas TV`s americana e britânica, um mestre de cerimônias convidado explica para o público as instruções dos jogos de improviso, desafia os humoristas e escolhe as sugestões vindas da plateia. Outro ator também é convidado pelos Barbixas para se juntar a eles nos desafios de improvisação. Por isso, como o improviso é a base para as encenações, o público irá assistir a um espetáculo diferente e interativo.

Serviço



Improvável em BH com a Cia Barbixas de Humor
Data: 13 a 15/05
Horário: Dia 13 (sexta-feira) às 20h e 22h, dia 14 (sábado) às 19h e 21h e dia 15 (domingo) às 18h e 20h
Ingressos: R$60 (inteira) e R$30 (meia) 

Local: Teatro SESIMINAS - Rua Padre Marinho, 60, Bairro Santa Efigênia, Belo Horizonte

quinta-feira, 24 de março de 2016

E assim começou a Liga da Justiça

* Contém spoilers
O tão aguardado embate entre o homem de aço e o homem morcego finalmente chegou. Estreou no último dia 24 de março "Batman Vs Superman: A Origem da Justiça". O longa teve direção de Zach Snyder, o mesmo de "O Homem de Aço", de 2013, primeira aventura de Superman protagonizada por Henry Cavill. E aqui já vai o primeiro alerta: é preciso ter visto esse filme para compreender melhor a história de "Batman Vs Superman".

É que o longa começa justamente quando a nave do General Zod praticamente destrói Metrópolis. E vemos a tragédia sob um outro ponto de vista, a de Bruce Wayne, alter ego do Batman. Ele presencia a destruição de um dos prédios das empresas Wayne. A partir dali percebe-se que o Superman pode representar uma ameaça à sociedade, justamente por ser um alienígena, uma espécie de Deus impossível de ser controlado pelos seres humanos.

É importante ressaltar que, antes disso, Snyder reconta, à sua maneira, a origem de Batman. Acompanhamos o menino que perde os pais durante uma tentativa de assalto (muito bem filmada, por sinal, com vários trechos em câmera lenta), e que cai em uma caverna habitada por morcegos. Dali temos um salto e já vemos o super-herói adulto, encarnado por Ben Affleck. O ator teve sua escolha muito criticada para o papel, principalmente pelos fãs, mas a meu ver, dá conta do recado, mesmo tentando fazer "cara de mau" em alguns momentos.

O que se vê então são questões políticas ganharem força: afinal, precisamos ou não do Superman? Ele é ou não perigoso? Enquanto a senadora Finch (Holly Hunter) quer levar a questão para o senado, o jovem milionário Lex Luthor (papel de Jesse Eisenberg, numa interpretação que confere um misto de loucura e arrogância à personagem) contrabandeia uma enorme pedra de kriptonita e planeja ataques terroristas. No encalço dele está a jornalista Lois Lane, mais uma vez interpretada por Amy Adams.

Mas vamos ao que interessa: a batalha entre os protagonistas do longa. Todos sabemos que o Superman é mais forte que o Batman. Para ter mais chances, o Homem-Morcego recorre a uma armadura que o deixa parecido com um robô (sério, é tanto metal que é até difícil acreditar que ele conseguiria dar uma passo de tão pesado. Lembrou até a armadura que o Homem de Ferro usou para enfrentar o Hulk no 2º filme dos Vingadores). A pancadaria corre solta graças também ao uso da kriptonita, que enfraquece o Superman e faz o Batman ter certa vantagem.

Mesmo quem não acompanha os quadrinhos sabe que esse combate tem hora pra acabar. E é justamente o amor de mãe que faz com que os heróis parem de se digladiar e façam parte do mesmo time. Coincidência ou não, tanto a mãe de Batman quanto à mãe adotiva de Clark Kent se chamam Martha. E como essa última corria perigo nas mãos de Luthor, lá se vai a dupla tentar salva-la.   

É nesse momento que "Batman Vs Superman" ganha outro enfoque, com um monstro criado por Lex Luthor a partir do corpo do General Zod, dentro da nave dele. E para não destruir de novo a cidade (cá entre nós, os cidadãos de Metrópolis já sofreram demais no filme do Homem de Aço), a luta dessa vez é em Gotham City, num local abandonado. Só pra constar, eu não sabia que as duas cidades eram vizinhas - é isso que dá a entender no filme.

E a Mulher Maravilha? Ela aparece no começo como uma espécie de espiã que desafia Bruce Wayne. Agindo por conta própria, surge logo a pergunta: Afinal, de que lado ela estará? Na batalha final, dá pra notar a força da heróina, com seu escudo, braceletes e laço mágico. Gal Gadot é bonita e elegante, mas eu ainda não sei se foi a melhor escolha para o papel.

Como se vê, muitos elementos são jogados no filme, mas nem todos se desenvolvem. E não para por aí: ao vasculhar arquivos roubados de Lex Luthor, Bruce Wayne ainda descobre outros meta-humanos, como são chamados: Aquaman e Cyborg. E em um de seus pesadelos ele ainda encontra com o Flash!

O final pode chatear alguns, com a morte de Superman, que usa a kriptonita para matar o monstro e se sacrificar. Mas no universo dos heróis não há verdade que dure 24 horas. E quem morreu pode ressuscitar sem muitas explicações. Menos mal, principalmente para quem é do "Time Superman". A terra flutuando sob o caixão de Clark mostra que ele voltará, podem ficar tranquilos.

Se ainda ficou tanta coisa no ar, pelo menos a gente sabe que muitas respostas virão no próximo filme, o da "Liga da Justiça", que começa a ser rodado no dia 11 de abril. A enxurrada de filmes de heróis continua, e pelo visto está longe de terminar! Que bom...

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

E o Oscar foi para...

A 88ª edição do Oscar, a grande festa do cinema mundial, aconteceu na noite deste domingo, 28 de fevereiro, diretamente do Dolby Theater, em Los Angeles, nos Estados Unidos. A cerimônia foi apresentada pelo ator negro Chris Rock, justamente em um ano marcado pela ausência de indicados negros nas categorias principais.

A festa começou com um clipe com cenas dos principais lançamentos do ano passado. Em seu discurso de abertura, Chris alfinetou os negros que boicotaram a cerimônia, para, no final, pedir mais igualdade de oportunidades entre brancos e negros na indústria do cinema.

A ordem da premiação mudou este ano. A academia resolveu fazer como num filme de verdade, e começou com os prêmios de roteiro. Na categoria original, deu "Spotlight - Segredos Revelados". E na de adaptado, "A Grande Aposta".

Outra novidade é que os vencedores tiveram apenas 45 segundos em seus discursos de agradecimento, e todos enviaram previamente os nomes daquelas pessoas a quem gostariam de dedicar o prêmio, que passavam na parte inferior da tela (cá entre nós, tão rápido que mal dava pra ler).

Na sequência tivemos o prêmio de melhor atriz coadjuvante. Alicia Vikander ganhou por "A Garota Dinamarquesa".

"Mad Max: Estrada da Fúria" dominou o bloco seguinte e levou pra casa os Oscars de Melhor Figurino, Design de Produção e Cabelo e Maquiagem.

"O Regresso", como era esperado, foi eleito o filme com a melhor fotografia. A melhor montagem foi para "Mad Max: Estrada da Fúria". O longa de George Miller também ganhou o prêmio de melhor edição e melhor mixagem de som, totalizando seis Oscars até agora, sem chance de ser ultrapassado por qualquer outro filme.

"Ex Machina" foi reconhecido como o filme com melhores efeitos visuais.

Em seguida tivemos o Oscar de Melhor Curta de Animação, que foi para "Bear Story", do Chile. A categoria foi apresentada pelos Minions. Buzz e Woody, de Toy Story, anunciaram o vencedor na categoria mais aguardada por nós, brasileiros, a de longa de animação. Como era esperado, "Divertida Mente" foi o vencedor, desbancando "O Menino e o Mundo", de Alê Abreu.

Sylvester Stallone deve ter ficado muito chateado por não ter ganhado o troféu de coadjuvante pelo seu Rocky Balboa, do filme "Creed: Nascido Para Lutar", como era esperado. O vitorioso foi Mark Rylance, de "Ponte dos Espiões".

Na seção dedicada aos documentários, os vencedores foram "A Girl in the River: The Price of forgiveness" (curta) e "Amy" (longa).

O escolhido como melhor curta de live action foi "Stutterer" e o filme em língua estrangeira foi "O Filho de Saul", da Hungria.

O momento emocionante da noite ficou por conta da apresentação de Lady Gaga da canção "Til it happens to you", do documentário "The Hunting Ground", que fala sobre abuso sexual. Ao final da música, dezenas de pessoas entraram no palco com mensagens de otimismo em seus braços, o que levou muitos da plateia às lágrimas. Apesar disso, o prêmio ficou com "Writing's on the Wall", do Sam Smith, pelo filme "007 Contra Spectre", que se apresentou no início da noite. O outro show musical foi da banda The Weeknd, que interpretou "Earned it", do filme "Cinquenta tons de cinza" - o grande vencedor do Framboesa de Ouro, entregue no sábado. Os outros dois indicados não se apresentaram durante a cerimônia.

Enio Morriconne venceu na categoria de Trilha Sonora Original, por "Os Oito Odiados" e foi ovacionado de pé por todos.

Depois de três horas de Oscar, os principais prêmios da noite começaram a ser entregues. Alejandro G. Iñárritu, de "O Regresso", foi eleito o melhor diretor, pelo segundo ano consecutivo.

Brie Larson, que ganhou praticamente todos os prêmios a que foi indicada, foi eleita a melhor atriz, por "O Quarto de Jack". E, finalmente, Leonardo DiCaprio desencantou e ganhou o seu Oscar de melhor ator por "O Regresso". Em seu discurso o ator reforçou a importância da relação do homem com a natureza e a defesa do meio-ambiente.

E finalmente, o último prêmio da noite, o de melhor filme. Deu "Spotlight - Segredos Revelados", o polêmico longa-metragem que aborda o abuso sexual de crianças por padres da igreja católica.

Resumindo: "Mad Max: Estrada da Fúria" foi o grande vencedor da noite (6), seguido por "O Regresso" (3) e "Spotlight - Segredos Revelados" (2). "Ponte dos Espiões", "A Grande Aposta" e "Ex Machina" receberam 1 cada.

E que venha o próximo ano!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Geraldinos: o fim de uma era

Durante mais de 6 décadas, milhares de torcedores se aglomeravam numa área à beira do fosso do Maracanã para acompanhar os times do coração. Era a chamada "geral", um espaço democrático, com ingresso barato, que atraía todo tipo de gente: da figura folclórica e apaixonada que se fantasiava para ver o jogo, até aqueles mais discretos, porém supersticiosos, que andavam de um lado para o outro, sem parar, evitando até mesmo olhar para o que acontecia dentro das quatro linhas. E não para por aí não: havia também aqueles que xingavam jogadores e atiravam objetos no treinador, e tentavam evitar, a todo custo, o gol adversário.

É esse o universo retratado por Pedro Asbeg e Renato Martins em "Geraldinos", documentário lançado ano passado, e que ganhou o troféu Barroco de melhor filme eleito pelo júri popular na 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que aconteceu de 22 a 30 janeiro. Acompanhe o bate-papo que eu fiz com eles:

Pedro Vieira: Como surgiu a ideia de fazer o filme?

Pedro Asbeg: A gente ficou sabendo que a geral ia acabar e resolvemos então ver um jogo nesse setor, mas sem a intenção prévia de fazer um filme. Só que saímos de lá com a certeza de que precisávamos registrar aquele ambiente especial e que era um absurdo que ele acabasse. No jogo seguinte já estávamos lá com uma câmera, observando quem estava mais exaltado, quem fazia as caretas mais legais e fomos descobrindo esses personagens. Filmamos dez jogos e aos poucos fomos encontrando os Geraldinos que tinham as histórias mais legais para contar.

Pedro Vieira: A geral foi extinta no Maracanã com as reformas para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Como foi reencontrar os Geraldinos que gravaram depoimentos para o filme anos depois?

Renato Martins: O tempo foi um dos fatores que ajudaram o nosso filme a acontecer. Começamos as filmagens em 2005 e retomamos em 2013, após o fim da geral. E descobrimos que poucos deles ainda frequentavam o Maracanã, que se transformou numa arena com ingressos caros. A geral acabou se transformando nos botecos ou até mesmo no quintal da casa desses torcedores. Alguns continuam indo porque têm gratuidade ou um amigo descola o ingresso, mas a maioria deixou de ir ao estádio.

Pedro Vieira: O que aconteceu no Maracanã acabou se repetindo em vários estádios Brasil afora, com as reformas para a Copa do Mundo. Como vocês analisam esse processo de elitização do futebol?

Pedro Asbeg: Eu acho que isso é um problema mundial, já que estádios na Europa estão passando pelo mesmo processo. Mas o futebol no Brasil é o esporte mais popular, faz parte da nossa cultura, traz lazer às pessoas, então esse problema se torna ainda mais grave. Eu acho que o que aconteceu foi um crime, um estupro. Acabaram com o Maracanã, tanto do ponto de vista cultural quanto arquitetônico. Transformaram-no em um negócio sem alma.

Pedro Vieira: Vocês ouviram depoimentos de ex-jogadores como Romário, Zico, além de jornalistas, do representante da concessionária responsável pela reforma do Maracanã e até políticos, como o deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL do Rio, cada um com uma opinião diferente sobre a geral. Para vocês, o fim dela é um caminho sem volta?

Renato Martins: O futebol está passando por um processo de involução. Quando ele surgiu, na Inglaterra, era um esporte aristocrata, e nós, no Brasil, conseguimos transformá-lo em um esporte popular, para as massas, e agora as massas estão sendo excluídas do futebol. Não existe mais a seleção brasileira, e sim a seleção CBF, em que são os patrocinadores que escalam os jogadores. Eu vejo a esperança na série C, nos times de várzea. Se os grandes clubes continuarem no processo em que estão, no futuro a garotada estará torcendo pelo Barcelona ou Real Madrid, times que eles veem só pela televisão. Existe solução, mas tem que ter vontade política e empresarial pra isso.

Pedro Asbeg: O que a gente está fazendo é necrofilia, estamos lidando com um cadáver, mas somos tão apaixonados que não queremos ver isso.

Pedro Vieira: Na 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes, o filme foi exibido no Cine Praça, ao ar livre. Como foi participar do evento e ainda por cima ser eleito o melhor filme pelo júri popular?

Pedro Asbeg: Quando houve o convite para participarmos da mostra foi uma surpresa muito grande. A sessão em praça pública foi emocionante, pois traz uma outra relação com o público. E o nosso filme fala justamente sobre espaços públicos, fala de inclusão e exclusão, o que tornou tudo ainda mais legal. E ficamos surpresos ao ganhar o troféu, realmente não esperávamos.

Pedro Vieira: Geraldinos foi exibido pela primeira vez no Festival É Tudo Verdade, em 2015. Como está a distribuição do filme?

Pedro Asbeg: Não temos verba específica para a distribuição então iremos diversificar. A ideia é levar o filme para o maior número de pessoas através do sistema de video on demand. Também iremos fazer algumas exibições no Canal Brasil, que é coprodutor do filme.

Renato Martins: Queremos levar o filme para cinemas alternativos do Rio, São Paulo, Minas Gerais e também para o sul e nordeste, mas a plataforma on demand será a principal maneira de distribuição do documentário. E quem quiser saber mais informações pode acessar a página
www.facebook.com/geraldinosdoc